sábado, 8 de janeiro de 2011

Contradições

Muro, laço, tesoura, nó
Rio, ponte, lama, pó
Céu, chão, grama, vento
Sol, mar, sertão, cinzento
Lua, estrada, choro, saída
Pingo, navalha, sangue, ferida
Nuvem, deserto, escuro, chegada
Mão, nome, vermelho, morada
Montanha, navio, apito, maré
Trabalho, fadiga, suor, fé
Espinho, ladeira, coroa, norte
Tambor, silêncio, sino, morte
Sorte, flor, luz, descida
Sopro, terra, água, vida
Riso, seta, estrela, clarão
Sul, sonho, rabisco, porão
Preto, branco, selvagem, manso
Noite, sono, canção, acalanto
Vir, calor, vinho, bebida
Ir, portão, frio, partida...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sozinha...

Estou só,
sem eira, nem beira feito poeira
sem por que, sem porém
Estou só, sem afeto e sem teto
sem flores, sem luzes
sem amor sem ninguém
Estou só com meus pensamentos
devaneios tormentos
sem nada a dizer
Estou só, e de mim tão distante
que nem mesmo minha sombra
consigo ver...
Estou só, e nada me resta
Nem mesmo a estrada
Que leva a você.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Saudades de Caymmi



Hoje acordei com saudades de Caymmi, saudade do bom baiano, de suas canções eternas, de sua camisa listrada de branco e azul.
Saudade da sua voz preguiçosa que enche o ar de melodia...
''Andei, por andar, andei e todo caminho deu no mar
A onda do mar leva, a onda do mar traz, quem vem pra beira da praia meu bem, não volta nunca mais''...
Fiquei pensando na saudade que ele sentiu de Stella, vindo busca-la onze dias depois de ter partido desse mundo.
Sim foram 60 anos de uma união completa, na vida, no amor, na música.
Uma vida de simplicidade que durou 94 anos em terra a beira mar...
Fiquei pensando em suas tardes, em suas noites, em quê, e como se inspirava esse poeta dos mares, sua rede, seu violão, no silêncio de seus momentos, por que todo poeta sabe silênciar.
''Minha jangada vai sair pro mar, vou trabalhar meu bem querer''
Canções eternas, canções ao mar, ao pescador, ao sonhador...
Pensei no amor de Caymmi, em sua ''ciranda'' em sua grandeza de se fazer pequeno, de caber humildemente na boca do povo, sim, por que Caymmi sempre foi aquilo que cantava e na simplicidade de como o fazia.
Cabia no rádio de pilha, nas imagens em preto e branco, nas poesias...coube na saudade da Bahia, na nostalgia de seu tempo, aliás, sempre é tempo de Caymmi, sempre é tempo de ouvir o que é bom e acredito que as futuras gerações ainda irão ouvir falar de seu nome,
de suas canções e de suas crenças, pois o tesouro que ele deixou nesse mundo em forma de canções e poesias, vai muito além daquilo que acreditamos, e acredito que aprenderemos um dia.
''Pobre de quem acredita na glória e no dinheiro para ser feliz".
Palavras de Caymmi...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Bem-te-vi

Ouvi o canto do bem-te-vi
Eu bem que tinha razão
Eu bem-te-vi, eu bem te quis
Juntinho do coração
Canta forte bem-te-vi
Seu canto é um bom presságio
Alegra meu coração
Voa, bem-te-vi e leva
Seu canto aos cantos do mundo
Bem-te-vi á beira mar, na manhã ensolarada
Bem-te-vi de tardezinha em minha rede no quintal

Bem-te-vi batendo asas por ruas janelas e casas

Rasgando o céu azul com suas asas delicadas

Bem-te-vi que alegria o seu canto me traz

Pássaro peregrino, gaiola não é sua casa
Só o céu tem a magia de abrir as tuas asas
Voa livre bem-te-vi que esse céu te pertence
E quando estiver cansado e suas asas machucadas
Pousa mansinho aqui bem-te-vi

E faça do meu coração o abrigo de suas asas